RESUMO DO LIVRO: A arte de viajar
A- DADOS GERAIS SOBRE O AUTOR E A OBRA
Título da obra: A Arte de Viajar
Nome do autor: Alain de Botton
Data da 1ª edição: 2002
Língua original: Inglês
Tradutor(es): Clóvis Marques
Data da edição lida: 2012
Data do resumo: Março a Maio/2025
Total de páginas lidas: 05/253
B – SOBRE O AUTOR DO RESUMO:
Autora: Marilde Mafra
Nasceu em Blumenau/SC, vive em Florianópolis/ SC. Bacharel em Direito pela Fundação Universidade de Blumenau – FURB, especialização em Direito do Estado pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, Servidora Pública Federal Aposentada, Estudante dos Cursos: História da Arte, na Galeria Helena Fretta; Pintura no Ateliê Smith, em Florianópolis/SC; e os Ministrados no Instituto Morada das Tradições, em Antônio Carlos/SC.
C- ANÁLISE DA OBRA
1- RESUMO: O livro é escrito pelo filósofo inglês Alain de Botton, que escreve sobre viagens, as suas correlações com as diferentes formas de manifestações dos artistas, filósofos, poetas, escritores, destacando o que prevalece de cada um na sua forma de ver, de perceber e de pensar a respeito de uma situação, um local, uma paisagem, uma obra de arte, e/ou um acontecimento. O livro está dividido em cinco títulos, e cada um com duas abordagens, o último com uma apenas.
No capítulo sobre Partida, o autor trata “da expectativa” (I) e menciona os lugares Hammersmith, Barbados e Londres, tendo como guia o romancista J.K. Huymans, que questiona sobre “como” e “porque” viajar, se muitas vezes a viagem pode ser feita numa cadeira da própria casa, afirmando sentir-se “tão à vontade no mundo quanto em meu quarto” (p. 13 in fine). Em “dos destinos de viagem” (II), os lugares que o autor menciona fazem relação com a forma de vida do poeta Charles Baudelaire e das obras do pintor Edward Hopper, como por exemplo: O posto de gasolina, O aeroporto, O avião, O trem, relatando as diferentes formas de observação desses lugares. Destaca a vida de Baudelaire, que queria viajar para bem longe para fugir das “lembranças do cotidiano”, percebendo-se atraído por portos, docas, estações ferroviárias, trens, navios, quartos de hotel; locais que ficava mais à vontade do que na própria casa.
No capítulo das Motivações, onde trata “do exotismo” (III), o lugar é Amsterdã e o guia Gustave Flaubert. O autor se encanta e descreve sobre uma placa de aviso de chegada no aeroporto de Amsterdã, e faz referências às influências que uma placa provoca. Relata sobre a história de Gustave Flaubert, cujo desejo era viajar pelo Oriente, descrevendo sobre hábitos e costumes locais, com a ideia de novidade e de mudança.
Ao abordar “da curiosidade” (IV), o lugar é Madri, e o guia Alexander von Humboldt. Descreve sobre Alexander von Humboldt, alemão que viajou pelo continente sul americano, financiado por Carlos IV da Espanha, tendo publicado 30 volumes dos relatos das viagens, intitulado Viagem às regiões equinociais do novo continente. A missão de Humboldt foi descobrir fatos e efetuar experiencias, encontrando tempo para observar em diferentes locais elementos despercebidos à maioria dos mortais.
Na parte “Paisagem”, (V- Do Campo e da Cidade), relata sobre uma viagem de trem para Lake District, local de nascimento do poeta William Wordsworth, guia do texto. O poeta viveu toda a sua vida no lugar e caminhava por tudo, admirando a natureza, escrevendo poemas, que foram ridicularizados durante muitos anos, e depois reconhecidos pelo público, e o local tornou-se atração turística.
Na parte (VI) trata “Do Sublime”- O Lugar Deserto do Sinai, tendo como Guias Edmund Burke e Jó. O autor resolve conhecer o deserto e vagar pelo Sinai. No deserto percebe-se pequeno diante da grandiosidade das montanhas, penhascos, imensidões áridas; fala das raras emoções, suscitadas por lugares específicos e da palavra que possa indicar o que é percebido – sublime. Menciona vários autores e seusencantamentos diante de uma região campestre aberta, de um vasto deserto sem cultivo, de gigantescos amontoados de montanhas, rochas elevadas e precipícios e uma vasta extensão de água. Comenta sobre Edmund Burke, que aos 24 anos, depois de abandonar os estudos de Direito em Londres, escreveu: “Uma investigação filosófica sobre a origem de nossas ideias do sublime e do belo”, salientando sobre como somos frágeis e transitórios em relação ao Universo, que é mais poderoso do que nós, e à aceitação das limitações. Escreve sobre Deus e da sua presença no Sinai, mencionando trechos bíblicos e autores que associavam paisagens sublimes à religião. Fala sobre o Livro de Jó, descrito por Edmund Burke. Menciona a explicação de Deus para Jó sobre o sofrimento.
No Título Arte (item VII), “Da arte que abre os olhos”, o lugar escolhido é Provença e o Guia Vincent van Gogh. Faz a visita e descreve sobre a vida do artista, a influência de outros artistas na vida de Vincent, como Velázquez, Monet, Rembrandt, Vermeer, Hokusai, Milliet e outros. O autor fala de outros locais visitados, depois de ver filmes, fotografias, pinturas e ler poesias, e de como determinados ou muitos lugares são explorados e visitados depois de conhecerem as obras e os trabalhos publicados a respeito.
No item (VIII) “Da posse da beleza”, menciona os lugares Lake District. Madri, Amsterdã, Barbados, Zona Portuária de Londres e o Guia John Ruskin. Fala do impulso dominante que a beleza provoca. O Guia, Jonh Ruskin, viajou com a família desde pequeno, e teve como incentivo para a escrita o que vislumbrava pela beleza das suas viagens. Ruskin amava desenhar e ensinou o desenho, e, pelo ensino queria que as pessoas fossem mais felizes com o que sabiam fazer, ver e perceber. Fazia esboços dos locais por onde passava, e o desenho servia de respostas para muitas perguntas e afirmava “sua arte deve ser o elogio de algo que ame” (p.219). O autor fala sobre as diferentes formas de cada um ver a beleza, quando se é um desenhista e quando não. E Ruskin não só desenhou, como escreveu e ensinou sobre desenho, movido por um desejo de “dirigir agudamente a atenção das pessoas para a beleza da obra de Deus no universo material” (p.221). Escrever para Ruskin era “pintar com palavras” (p.223).
No título, Retorno, a abordagem é “Do hábito” (IX). Lugar Hammersmith Londres. Guia Xavier de Maistre. O autor relata que entre 1799 e 1804, Alexandre von Humboldt viajou pela América do Sul, e antes, em 1790, Xavier Maistre, francês, aos 27 anos, escreveu Viagem ao redor do meu quarto, e em 1798, caminhando durante a noite atéo peitoril da janela, escreveu sobre uma segunda viagem, que intitulou de Expedição noturna ao redor do meu quarto, descrevendo como é viajar pelo quarto, falando sobre as peças mobiliárias, pijamas, lençóis, almofadas, sem bagagem, conversando e agradecendo a cada peça, destacando o valor e o que possibilitaram a ele desfrutar. Como o quarto do autor era pequeno foi caminhar no bairro de Hammersmith, numa viagem ao espírito de Maistre, percebendo o movimento da rua, diferentemente ao que estava acostumado, olhar ao redor como se nunca estivesse estado no lugar antes, e essas viagens começaram a dar frutos. De Maistre não viajou somente no seu quarto. Foi para outros lugares Italia e Rússia, passou inverno nos Alpes. Oito décadas depois de ter lido e admirado De Maistre, Nietzsche desenvolveu o pensamento de que quando observamos como certas pessoas sabem conduzir suas experiências, “somos tentados a dividir a humanidade entre uma minoria (realmente mínima) daqueles que sabem fazer muito com pouco e uma maioria que sabe fazer pouco com muito” (p.245). Finaliza dizendo que Xavier de Maistre, “satisfeito com os limites de seu quarto, discretamente nos compelia, antes de rumar para hemisférios distantes, a notar aquilo que já vimos” (p.245).
PALAVRAS-CHAVES: Arte, Viagem, Lugar, Guia, Artistas, Escritores, Poetas