RESUMO DO LIVRO: CORAÇÃO SEM LIMITES – Trabalho com Madame de Salzmann
A- DADOS GERAIS SOBRE O AUTOR E A OBRA
Título da obra: CORAÇÃO SEM LIMITES – Trabalho com Madame de Salzmann
Nome do autor: Ravi Ravindra
Data da 1ª edição: 2001
Língua original: Inglês
Tradutor(es): Lea P. Zylberlicht, Gian Bruno Grosso e João Paulo dos Santos Nogueira
Data da edição lida: 2001
Data do resumo: Maio de 2025
Total de páginas lidas: 13-318
B – SOBRE O AUTOR DO RESUMO:
Autora: Maria Fernanda Kauling
Professora universitária e advogada, doutora em Gestão Ambiental pela Universidade Positivo/Curitiba. Integrante do Instituto Morada das Tradições, atuando como sua presidente desde 2016.
C- RESUMO
O livro é escrito pelo professor Dr. Ravi Ravandra, nascido na Índia em 1938 e naturalizado canadense desde 1972. Bacharel em Geologia e Geofísica (1959) e Mestre em Tecnologia (1961), Mestre em Ciências (1962) e Doutor em Física (1965) pela Universidade de Toronto; Mestre em Filosofia (1968) pela Universidade Dalhousie, Halifax; com pós doutorado em Física, História e Filosofia da Ciência e Religião. Professor Emérito da Universidade Dalhousie/ Canadá desde 2002.
Trata-se da narrativa das experiências do autor ao se aproximar da Madame Jeanne de Salzmann, responsável pela continuidade do Trabalho de George Gurdjieff.Até sua morte, em 1990 com 101 anos, a Madame orientou os estabelecimentos da Fundação Gurdjieff em Paris, Londres e Nova York e foi responsável pela produção de livros e filmes. O autor teve contato com os ensinamentos de Gurdjieff sobre o “Trabalho” com a Sr. Loise Welch, que foi sua orientadora por muitos anos. Em 1980, a Sra. Louise recomendou que o autor fosse trabalhar com a Madame de Salzmann, o que acabou acontecendo naquele mesmo ano, com a viagem do Dr. Ravi a Paris. O livro relata as recordações contidas no diário do autor, que ao longo de dez anos manteve uma relação muito próxima com a Madame, reunindo impressões e reflexões pessoais com os registros dos ensinamentos que ia recebendo.
O texto é estruturado em nove áreas, que não são formalmente intituladas de capítulos, mas que seguem uma organização por temas principais de abordagem.
Com a pergunta “A que você serve?” o autor inicia narrando sua chegada a Paris, suas primeiras impressões e impactos que recebeu ao conviver de perto com a Madame. O autor aborda no texto sua inquietação, de longo tempo, de que estava se percebendo envelhecer e que não podia mais adiar o compromisso com aquilo que é real. Os ensinamentos de Madame de Salzmann vão conduzindo o autor na descoberta de seu propósito na vida, da necessidade de conhecer a si mesmo. É preciso reconhecer que não se sabe quem somos e que necessitamos sabe-lo. Ela ensina que o propósito na existência do homem no planeta Terra é servir como canal entre as energias dos níveis mais altos de existência e a Terra. Essa troca de energia só é possível com a relação entre corpo e mente. Por isso Madame ressalta que “seu corpo não é só seu”, o homem precisa desenvolver-se para cumprir a função que lhe é própria, de servir à Terra tornando-se ponte para energias mais altas. “O Universo é formado de forças e energias que devem estar em relação umas com as outras. A
Terra tem seu próprio nível de energia e necessita de seres humanos para o propósito do relacionamento correto com as outras energias. É a isso que o homem está destinado a servir.”
No decorrer do livro, os ensinamentos da Madame de Salzmann vão contribuindo para o entendimento do autor sobre temas como a importância dos grupos de pessoas para a realização do Trabalho: “Um grupo de pessoas é necessário para um certo nível de energia aparecer”. A orientação que o autor recebe é de trabalhar sozinho e também em grupo com outras pessoas, frequentemente. O autorfaz reflexões acerca de suas dúvidas, e diferentes sensações quando está com o grupo de trabalho e perto da Madame, e quando se afasta, contando dos seus questionamentos sobre ser mesmo este o seu caminho. Madame esclarece que duvidas intermináveis são fuga do Trabalho, que para de lutar contra a sorte e aceitar o próprio destino pode ser um alívio, poupa energia que pode ser usada para a ação necessária.
Madame de Salzamnn ensina que milagres não existem, é tudo um jogo de forças entre as energias do alto e da matéria. Ou servimos ao alto ou servimos ao ego(matéria). Essa dualidade é constante e por isso tudo é relacional. Não existe isolamento, tudo está em relação com energias de outro nível. Se a energia do corpo não está relacionada com algo mais alto, ela será capturada por algo mais baixo. A energia não pode existir sem relação. Nesta área do texto o autor traz as definições de Madame de Salzmann sobre liberdade, a escravidão como o aprisionamento ao ego. O Trabalho não é feito pelo ego, na prática é preciso lutar consigo mesmo: ter tempo definido para o Trabalho, permanecer, enfrentar o desconforto. Somente com intensidade e constância haverá transformação. A vida ordinária não é para ser abandonada por completo, é necessário desenvolver habilidade para ter uma ação no nível ordinário. Apenas ideias não podem mudar uma pessoa, é preciso ação positiva todo o tempo. Nessa área o autor ainda destaca algo que ainda não havia escutado sobre a importância de se transmitir os ensinamentos para a continuação do Trabalho, e o papel desses “professores” para deixarem legados que os permita continuar o próprio trabalho em esferas mais altas.
Outro tema abordado é a importância que deve se ter com o corpo e as práticas corporais, os movimentos e meditações, para que as sensações sejam percebidas.
Para perceber o corpo é preciso alcançar um estado quieto, relaxar. Mas não conseguimos relaxar diretamente, porque se lembramos de estar presente, então tornamo-nos ciente das nossas tensões. Em seguida algo se solta de uma maneira fundamental. O que sou eu? Quando o eu aparece? Precisamos empreender esforços com sensibilidade e sentido de sacrifício e serviço, com compreensão do esforço e também do momento de se soltar de algo. Alguma coisa tem que ser abandonada, o ego faz o esforço e depois, chega-se a um ponto que o ego deve ser passivo. Trata-se de um ponto de transição sutil, onde assistimos a energia do corpo e da mente nocontato uma com a outra. Força ativa da mente mais a força passiva do corpo vai resultar no surgimento de algo novo. Sofrimento consciente é a coisa mais importante, permanecer diante da falta. Não podemos lutar contra o ego, mas sim fortalecer o EU.
A Madame é firme com o autor sobre a importância de ele trabalhar a calma, e não dar tanta importância às coisas mentais, ao que o autor chama de armadilhas de sua cabeça – suas confusões diante dos convites e demandas externas que recebe.
A orientação que recebe é de “Trabalhar” no momento presente, agora, com frequência, por muito tempo e intensamente, sozinho e com outras pessoas.
Permanecer diante da inadequação (sofrimento voluntário). Para ser completo um ser humano deve relacionar-se com duas energias: uma corrente vertical que é a que cria o corpo astral e outra corrente horizontal, que é a energia do corpo físico. O que precisa ser descoberto é a maneira pela qual cada um pode servir à energia mais alta.
Os professores indicam o caminho a compreender e seguir. Hesitações, desobediências e até submissão são todas afirmações do ego. A ação sagrada não tem relação com gostar ou não gostar, ou com a possibilidade de fracasso ou sucesso, simplesmente é necessário ser feita. Para trabalhar é necessário haver uma luta entre o sim e o não. Trabalho intencional (atenção consciente) e sofrimento voluntário são as chaves para o trabalho. O Eu pode despertar a mim e servir à Terra. A verdadeira liberdade é a liberdade de mim mesmo e o corpo deve ouvir e obedecer, por isso precisa estar relaxado e quieto. Madame de Salzmann ensina sobre o segundo corpo, que pode ser criado pelo EU se a conexão for suficientemente forte, quer dizer, se a energia mais alta tem abertura para passar por dentro do corpo físico.
Ao se aproximar do fim do livro, os apontamentos do autor se voltam expressivamente sobre as questões da morte, uma vez que a morte da Madame se torna iminente diante de sua avançada idade (101 anos) e debilidade física. Diante da inquietação do autor sobre o tema, Madame de Salzmann ensina que o importante não é quanto tempo uma pessoa vive, mas o significado que deu a sua vida. Ela questiona ainda o autor, como ele se abriria a Deus: Como você convidaria Deus a te tocar? O corpo não pode servir apenas a si mesmo, precisa servir a algo mais alto.
Ele, o corpo, está destinado à destruição, mas pode servir a alguma outra coisa. Sobre a morte do corpo ela esclarece que “energias de qualidades diferentes têm durações diferentes”. A energia de um nível mais alto não morre com a morte de um nível maisbaixo. A energia mais alta está no corpo, mas ela não é do corpo. No epílogo, o autor faz uma reflexão acerca dos ensinamentos que recebeu e da necessidade que tem de transmiti-los, destacando o valor dos professores que passam por nossas vidas, e dele mesmo enquanto professor. O autor ainda lembra da importância de tradições seculares que buscam ajudar os indivíduos a encontrarem seus propósitos de existência e faz na última frase do livro uma provocação ao leitor: “Como desempenhamos nossa parte no cumprimento da função humana especial no cosmos?”
D – PALAVRAS-CHAVE
Trabalho, Despertar, Energia, Propósito, Atenção, Ação positiva, Sofrimento Consciente